Não consigo parar de pensar
Tuas mãos em minha cintura
Tua barba em meu pescoço roçar
Não consigo parar de querer
Na beira do mar sob as estrelas
Juntinhos, colados, só eu e você
Não consigo parar de esperar
Que tudo se endireite
Pra que em meus braços você possa estar
Não consigo parar de te amar
A cada dia mais forte
Sem que eu precise me esforçar
O que não consigo entender
Se o mundo dá voltas
Porque não posso te esquecer
Acho que esse mundo é dado viciado
Roda, roda e dá sempre o mesmo resultado
Feito eu que caminho sem te esquecer
O mundo dá voltas e sempre me encaminha a você
Sentimento verdadeiro
Que eu pensei fosse ligeiro
Foi aí que me enganei
A cada dia de ti mais gostei
Antes pensava ser só atração
Pura tolice
Isso é mais que mera paixão
Vontade de te ver dormir
E acordar
De poder teu sono velar
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Por você
Por você eu gritaria
Deixaria de lado a timidez
Faria serenata e sonata
Me declararia de vez
Por você eu me exporia
Deixaria de lado a discrição
Mandaria buquê e sonho de valsa
Cantaria pra ti com paixão
Por você eu pararia
O transito inteiro da rua
Declamaria o mais belo soneto
Só pra dizer que sou tua
Por você eu viraria
Mulher de um homem só
Desejando todos os dias
Viver com você o bom e o melhor
Por você eu casaria
Dividiria minha vida e minha cama
Suportaria rotina e cobrança
Só pra ouvir do tu dizer que me ama
Deixaria de lado a timidez
Faria serenata e sonata
Me declararia de vez
Por você eu me exporia
Deixaria de lado a discrição
Mandaria buquê e sonho de valsa
Cantaria pra ti com paixão
Por você eu pararia
O transito inteiro da rua
Declamaria o mais belo soneto
Só pra dizer que sou tua
Por você eu viraria
Mulher de um homem só
Desejando todos os dias
Viver com você o bom e o melhor
Por você eu casaria
Dividiria minha vida e minha cama
Suportaria rotina e cobrança
Só pra ouvir do tu dizer que me ama
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
O dia em que as cervejas brotaram do chão
Sim. Todo mundo já viu brotar muita coisa do chão: feijão, milho, melancia, árvores inúteis que só servem pra derrubar folhas e sujar o chão. Bem, se bem que não há árvore de todo inútil. Tem sempre a tal da sombra e o ar bom. Inútil é um monte de gente imprestável que tem por aí. Mas isso é outra história. Essa historia é daquele dia em que as cervejas brotaram do chão.
Eu não to maluco nem bêbado. To pra falar a verdade até bem sóbrio. Bebi menos que o de costume. Só meia garrafa de uísque e uma cinco latas de cerveja. Isso pra mim é ficha. To acostumado a beber a mesma quantidade de líquido que inundou a Terra no dilúvio. Sim, exagero. E por falar em assuntos religiosos eu achava que a historia da cerveja brotando do chão era milagre.
Eu que sempre disse que não queria nada além de umas cervejas e imaginação pra escrever boas coisas. Na verdade só queria mesmo as cervejas porque a imaginação vinha a toda depois da 2ª latinha.
No dia em questão a droga da cerveja tinha acabado e eu tava mais duro do que a droga da arvore seca que chacoalhava lá fora. Só me restavam uns cigarros e a inspiração vadia tinha pulado a janela e ficava gozando com a minha cara do lado de fora. Daria tudo por uns goles a mais de cerveja naquele dia. Fazia um calor dos infernos, típico daquela época.
Resolvi dar umas voltas pra afastar o calor. Então eis que vejo no terreno baldio umas garrafas de cerveja. Devia ter umas 10 garrafas. Quando me aproximei pra ver melhor vi que tinham algumas cobertas por terra, quase enterradas. Devia ter umas 50 garrafas ao todo. Não entendi nada. Já tinha visto de tudo na vida, mas cerveja brotando do chão era a primeira vez. Esquisito. Achei que tava ficando velho demais e que já não dava conta de beber sem ter alucinação. Por via das dúvidas peguei as danadas das cervejas, arranjei uma sacola e levei tudo pra casa. Quando voltei ao terreno pra pegar o resto parece que a quantidade tinha multiplicado. Levei de novo tudo o que consegui carregar. Sempre pensando: tomara que não pare de brotar.
Toda noite era assim. Lá ia eu buscar as cervejas. Foi um tempo feliz. Bebia noite inteira, escutava musica e escrevia até o amanhecer. De vez em quando quanto estava metido a poeta levava uma bela pra casa e bebíamos até não mais puder. E eu sempre pensando: que Deus me abençoe e o milagre nunca cesse.
Então uma noite lá ia eu cantarolando levando a sacola de plástico pra trazer o liquido dos deuses, quando eu vi. Havia no terreno baldio um caminhão despejando garrafas de cerveja. Estava desvendado o milagre. Milagre uma ova. Era o mercado da cidade que tava despejando ali as cervejas. Compraram em grande quantidade por conta do calor dos últimos tempos. Sabiam que em épocas assim a cerveja vendia mais que carne, pão ou leite. Só que os infelizes tinham comprado as cervejas perto das danadas vencerem. Saia mais barato claro. Agora estavam fora do prazo. E a solução mais pratica: virar a esquina e jogar tudo fora. Os desgraçados. Fiquei com tanta raiva naquela hora. Porque sabia que uma hora elas não viriam mais. Ia acabar a moleza, as noites alegres. Então viriam os bicos, os trabalhos pesados pra descolar um troco pras cervas.
Até hoje espero por um novo milagre, uma nova onda de calor e pra que o burros filhos da mãe comprem de novo um monte de cerveja perto de vencer. Pelo menos mal nunca me fez e ainda rendeu esta historia tão idiota quanto quem acreditou que um dia cervejas pudessem brotar do chão.
Eu não to maluco nem bêbado. To pra falar a verdade até bem sóbrio. Bebi menos que o de costume. Só meia garrafa de uísque e uma cinco latas de cerveja. Isso pra mim é ficha. To acostumado a beber a mesma quantidade de líquido que inundou a Terra no dilúvio. Sim, exagero. E por falar em assuntos religiosos eu achava que a historia da cerveja brotando do chão era milagre.
Eu que sempre disse que não queria nada além de umas cervejas e imaginação pra escrever boas coisas. Na verdade só queria mesmo as cervejas porque a imaginação vinha a toda depois da 2ª latinha.
No dia em questão a droga da cerveja tinha acabado e eu tava mais duro do que a droga da arvore seca que chacoalhava lá fora. Só me restavam uns cigarros e a inspiração vadia tinha pulado a janela e ficava gozando com a minha cara do lado de fora. Daria tudo por uns goles a mais de cerveja naquele dia. Fazia um calor dos infernos, típico daquela época.
Resolvi dar umas voltas pra afastar o calor. Então eis que vejo no terreno baldio umas garrafas de cerveja. Devia ter umas 10 garrafas. Quando me aproximei pra ver melhor vi que tinham algumas cobertas por terra, quase enterradas. Devia ter umas 50 garrafas ao todo. Não entendi nada. Já tinha visto de tudo na vida, mas cerveja brotando do chão era a primeira vez. Esquisito. Achei que tava ficando velho demais e que já não dava conta de beber sem ter alucinação. Por via das dúvidas peguei as danadas das cervejas, arranjei uma sacola e levei tudo pra casa. Quando voltei ao terreno pra pegar o resto parece que a quantidade tinha multiplicado. Levei de novo tudo o que consegui carregar. Sempre pensando: tomara que não pare de brotar.
Toda noite era assim. Lá ia eu buscar as cervejas. Foi um tempo feliz. Bebia noite inteira, escutava musica e escrevia até o amanhecer. De vez em quando quanto estava metido a poeta levava uma bela pra casa e bebíamos até não mais puder. E eu sempre pensando: que Deus me abençoe e o milagre nunca cesse.
Então uma noite lá ia eu cantarolando levando a sacola de plástico pra trazer o liquido dos deuses, quando eu vi. Havia no terreno baldio um caminhão despejando garrafas de cerveja. Estava desvendado o milagre. Milagre uma ova. Era o mercado da cidade que tava despejando ali as cervejas. Compraram em grande quantidade por conta do calor dos últimos tempos. Sabiam que em épocas assim a cerveja vendia mais que carne, pão ou leite. Só que os infelizes tinham comprado as cervejas perto das danadas vencerem. Saia mais barato claro. Agora estavam fora do prazo. E a solução mais pratica: virar a esquina e jogar tudo fora. Os desgraçados. Fiquei com tanta raiva naquela hora. Porque sabia que uma hora elas não viriam mais. Ia acabar a moleza, as noites alegres. Então viriam os bicos, os trabalhos pesados pra descolar um troco pras cervas.
Até hoje espero por um novo milagre, uma nova onda de calor e pra que o burros filhos da mãe comprem de novo um monte de cerveja perto de vencer. Pelo menos mal nunca me fez e ainda rendeu esta historia tão idiota quanto quem acreditou que um dia cervejas pudessem brotar do chão.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Nó
Esse nó que não desata
Antes fosse laço
Mas é nó cego
E me faz perder o compasso
Há tempos que tento
Fazer uma ponta pela outra escorrer
Mas o nó é bem atado
Dificil desfazer
Até hoje me questiono
Como tanto isso pôde enroscar
Sem saber onde termina
Sem saber onde vai dar
Uma tesoura até seria capaz de resolver
Mas então as duas partes ficariam dilaceradas
Tanto eu quanto você
Antes fosse laço
Mas é nó cego
E me faz perder o compasso
Há tempos que tento
Fazer uma ponta pela outra escorrer
Mas o nó é bem atado
Dificil desfazer
Até hoje me questiono
Como tanto isso pôde enroscar
Sem saber onde termina
Sem saber onde vai dar
Uma tesoura até seria capaz de resolver
Mas então as duas partes ficariam dilaceradas
Tanto eu quanto você
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Nostalgia
Não é sinônimo de alegria
E também não quer dizer tristeza
Como em quase tudo na vida
Traz agonia mas também traz beleza
Sinto um cheiro invadir as narinas
Ouço aquela canção
Leio versos de poesia
E então vem aquela recordação
A lembrança nem sempre agrada
As vezes dá vontade de afastar
Mas não é um fechar de olhos
Que é capaz da lembrança expulsar
É olhar o papel do bombom
Pra lembrar daquele desejo
Ver pelo chão a tampa do batom
Do dia do mais doce beijo
Nas gavetas trancafiadas
Anotações e rabiscos
Frases e bobas declarações
E aquele dizer de " um dia te conquisto"
Pra uns é apego ao passado
De quem não vive o dia-a-dia
Coisa de quem foge do presente
Prefiro chamar de nostalgia
E também não quer dizer tristeza
Como em quase tudo na vida
Traz agonia mas também traz beleza
Sinto um cheiro invadir as narinas
Ouço aquela canção
Leio versos de poesia
E então vem aquela recordação
A lembrança nem sempre agrada
As vezes dá vontade de afastar
Mas não é um fechar de olhos
Que é capaz da lembrança expulsar
É olhar o papel do bombom
Pra lembrar daquele desejo
Ver pelo chão a tampa do batom
Do dia do mais doce beijo
Nas gavetas trancafiadas
Anotações e rabiscos
Frases e bobas declarações
E aquele dizer de " um dia te conquisto"
Pra uns é apego ao passado
De quem não vive o dia-a-dia
Coisa de quem foge do presente
Prefiro chamar de nostalgia
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Meu bem, perdão pelo rompante
[Pra entender melhor, leiam o post de baixo]
Escuta querido, foi tudo um rompante, um delírio ultrajante, pois pouco seria chamar de delirante. Fui vilã e cruel, ri da tua bondade e de toda tua doce felicidade. É tudo culpa da minha ironia, da minha maldade, da bipolaridade e todas as outras ades.
Você é tão bom, a tampa da minha panela, a alma mais que singela, a flor mais bela da primavera.
O Passarim voltou meu bem, eu sou tão inconstante, mas uma certeza eu tenho, não quero você distante. Vem cá pertinho de mim, deixa eu te mostrar a flor que colhi, o branco jasmim. Quero te dar não o último beijo, mais descobrir teus mais profundos desejos. Meu bem não há como duvidar, é eterno sim, por mais que contra isso eu tente lutar.
A tua alegria completa minha tristeza e o teu estilo largado acalma meu jeito enjoado. Tua doçura se mistura com a minha amargura e pronto. Mistura perfeita. Nem doce demais, nem amargo demais. Só deixa vez por outra eu acrescentar um pouco mais. Prefiro sempre os meio-amargos.
Escuta querido, foi tudo um rompante, um delírio ultrajante, pois pouco seria chamar de delirante. Fui vilã e cruel, ri da tua bondade e de toda tua doce felicidade. É tudo culpa da minha ironia, da minha maldade, da bipolaridade e todas as outras ades.
Você é tão bom, a tampa da minha panela, a alma mais que singela, a flor mais bela da primavera.
O Passarim voltou meu bem, eu sou tão inconstante, mas uma certeza eu tenho, não quero você distante. Vem cá pertinho de mim, deixa eu te mostrar a flor que colhi, o branco jasmim. Quero te dar não o último beijo, mais descobrir teus mais profundos desejos. Meu bem não há como duvidar, é eterno sim, por mais que contra isso eu tente lutar.
A tua alegria completa minha tristeza e o teu estilo largado acalma meu jeito enjoado. Tua doçura se mistura com a minha amargura e pronto. Mistura perfeita. Nem doce demais, nem amargo demais. Só deixa vez por outra eu acrescentar um pouco mais. Prefiro sempre os meio-amargos.
Rompante de crueldade
Olha, não te quero mais. Some e vai embora. Ta aqui a porta aberta. Pega teus risos rasgados, tua alegria espontânea, tua felicidade delirante e pode ir embora. Mas vai mesmo. Longe, bem longe. Quero tu de mim bem distante, além da linha do horizonte, além do além do arco-íris...
Olha ainda te quero bem, vê se não esquece. É uma cara bacana, até é legal, gosta de música boa e coisa tal. É romântico e etecetera, cheguei a pensar que era a metade, daquelas que dizem completa.
É lindão, uma coisa de louco, já me deu cada sufoco, mas hoje acho tudo isso pouco. Olha não me peça pra explicar, as coisas são assim mesmo, não tem como duvidar.
Ontem sim e hoje não. Uns chamam de armadilhas, eu chamo artimanhas do coração. Ta legal, eu disse que ia ser eterno, pelo menos veja pelo lado bom, não se pode dizer que não foi terno, sincero e honesto. Ligeiro talvez, mas cada sentimento tem sua vez.
O sentimento voou que nem o Passarim do Jobim, sem estar nem aí pra mim e eu nada pude fazer, só o que posso dizer é já era. Vai em paz e com Deus. E não me peça pra beijar os lábios teus pela última vez que já não agüento mais os teus clichês...
[Continua no próximo post...]
Olha ainda te quero bem, vê se não esquece. É uma cara bacana, até é legal, gosta de música boa e coisa tal. É romântico e etecetera, cheguei a pensar que era a metade, daquelas que dizem completa.
É lindão, uma coisa de louco, já me deu cada sufoco, mas hoje acho tudo isso pouco. Olha não me peça pra explicar, as coisas são assim mesmo, não tem como duvidar.
Ontem sim e hoje não. Uns chamam de armadilhas, eu chamo artimanhas do coração. Ta legal, eu disse que ia ser eterno, pelo menos veja pelo lado bom, não se pode dizer que não foi terno, sincero e honesto. Ligeiro talvez, mas cada sentimento tem sua vez.
O sentimento voou que nem o Passarim do Jobim, sem estar nem aí pra mim e eu nada pude fazer, só o que posso dizer é já era. Vai em paz e com Deus. E não me peça pra beijar os lábios teus pela última vez que já não agüento mais os teus clichês...
[Continua no próximo post...]
sábado, 5 de julho de 2008
O atacante
Desde cedo sonhara com aquela vida. Sentado na cama podia ver a velha bola que ganhara quando moleque, a coleção de miniatura de jogadores, as medalhas e fotos que lembravam a brilhante carreira como jogador profissional.
Dedicara-se ao futebol como nada mais em sua vida. Não era apenas a sua profissão. Não era apenas a sua alegria. Era a sua vida. Era entrar em campo e esquecia de todo o resto do mundo. A ultima coisa do mundo lá fora que ele escutava era o barulho da torcida. Sentia o arrepio, a emoção, a responsabilidade correndo nas veias. Sentia-se importante, o homem mais importante do mundo, já que durante noventa minutos o mundo dele eram aquelas quatro linhas.
Quando a bola rolava parecia entrar em transe. Parecia que só enxergava o gol. Era a partida terminar e ele não se lembrava mais de nada. Dos gritos, das trombadas, da vibração, da comemoração. Só lembrava dos gols, da bola entrando e morrendo na rede. Não lembrava, nem via nada mais. A sensação que tinha era de ver um tanto de vultos correndo pra lá e pra cá. A única imagem nítida a sua frente era a bola. Talvez por isso tivesse tanto carinho por ela.
Ganhara assim os mais importantes campeonatos e prêmios. Tinha uma fortuna invejável, uma vida confortável e a fama o agradava. Não mais que o futebol, mas gostava de se sentir reconhecido.
Tudo andava da forma como ele sempre quisera. Até que um zagueirão de um timeco de Deus sabe onde achou que suas pernas eram autorama. Carrinho violento. Lesão no joelho, afastamento do time. Desde então tudo declinara.
Toda vez que pensava ter se recuperado, lesionava-se de novo e de novo. Foram dois anos assim. Aos 32, já velho pro futebol, e sem engrenar uma seqüência de bons jogos, acabou esquecido. Nenhum time importante o queria e ele se recusava a jogar em times pequenos. Fora rejeitado até pela roda de amigos que o considerava como líder. Apenas diziam: “não, amanhã não vai ter nada não.” Depois sempre descobria que a farra havia sido das grandes. Ele é que não podia ir mais. Não preenchia mais os requisitos necessários pra estar naquela roda.
A vida agora era outra. Vivia do dinheiro acumulado durante a carreira. Era suficiente, mas pra ele de nada servia. A vida sem futebol era sem cor, sem gosto, sem cheiro. Precisava sentir o peito bater forte antes de entrar em campo. Era preciso ouvir outra vez o colorido e o grito das organizadas. Queria outra vez os dribles, os holofotes e os repórteres em torno dele. Necessitava ser campeão outra vez.
Recorrera a amigos, dirigentes, a repórteres. As portas todas estavam trancadas pra ele. Até o São Lourenço virara as costas pro seu grande ex-ídolo. Tantos gols e títulos ele dera ao clube. Ainda lembra do presidente que ele tanto admirara dizendo:
- Não se preocupe, a gente vai dar um jeito nisso. Você vai voltar a ser o que era.
Um ano havia se passado e o presidente não mexera um único dedo. E agora era aquilo. Festa de confraternização. Na casa do diretor. Ele fora convidado e foi.
Estavam todos lá. Todos aqueles que haviam prometido ajudar. Agora eram aqueles risinhos e tapinhas nas costas. Comentavam:
- Esse destruía todo mundo. Atacante igual não vai haver. O grande nome do São Lourenço.
Aquilo nem lhe enojava ou nada. Ouvia só um zumbido ao longe. Sentia indiferença. Como se todos aqueles fossem desconhecidos. Só pensavam nos martines, nos carros importados, nas farras, nos contratos exorbitantes. Ele mesmo fora assim, até o zagueirão achar que as suas pernas eram parquinho de diversão.
Ele apenas sacou a pistola e disparou a esmo. Nem mirava e nem escolhia em quem ia atirar. Como em dia de jogo, não enxergava nada, via penas uns vultos se movimentando, ouvia apenas os gritos desesperados. E concentrava-se não mais na bola, mas no gatilho. Naquela sala só o apertar do gatilho interessava. Só parava pra trocar o pente da arma, assim como vez por outra era necessário trocar de chuteira pra calibrar o chute. Matou todos, devia haver umas cinqüenta pessoas. Só parou de atirar quando os gritos cessaram. Olhou pro chão e finalmente viu sangue e corpos inertes. Era como se a partida tivesse terminado, a sensação era a mesma. Ele
estava exausto, mas aliviado.
Quando saia da casa do presidente pensou que o melhor era ir pra uma cidadezinha do interior perdida no meio do nada. Longe dali montaria uma escolinha de futebol. Ia ensinar aos moleques que futebol não era só fazer gol, mas também ter cuidado com as raposas matreiras que sempre surgem pelo caminho. É é claro, com os zagueirões também.
Dedicara-se ao futebol como nada mais em sua vida. Não era apenas a sua profissão. Não era apenas a sua alegria. Era a sua vida. Era entrar em campo e esquecia de todo o resto do mundo. A ultima coisa do mundo lá fora que ele escutava era o barulho da torcida. Sentia o arrepio, a emoção, a responsabilidade correndo nas veias. Sentia-se importante, o homem mais importante do mundo, já que durante noventa minutos o mundo dele eram aquelas quatro linhas.
Quando a bola rolava parecia entrar em transe. Parecia que só enxergava o gol. Era a partida terminar e ele não se lembrava mais de nada. Dos gritos, das trombadas, da vibração, da comemoração. Só lembrava dos gols, da bola entrando e morrendo na rede. Não lembrava, nem via nada mais. A sensação que tinha era de ver um tanto de vultos correndo pra lá e pra cá. A única imagem nítida a sua frente era a bola. Talvez por isso tivesse tanto carinho por ela.
Ganhara assim os mais importantes campeonatos e prêmios. Tinha uma fortuna invejável, uma vida confortável e a fama o agradava. Não mais que o futebol, mas gostava de se sentir reconhecido.
Tudo andava da forma como ele sempre quisera. Até que um zagueirão de um timeco de Deus sabe onde achou que suas pernas eram autorama. Carrinho violento. Lesão no joelho, afastamento do time. Desde então tudo declinara.
Toda vez que pensava ter se recuperado, lesionava-se de novo e de novo. Foram dois anos assim. Aos 32, já velho pro futebol, e sem engrenar uma seqüência de bons jogos, acabou esquecido. Nenhum time importante o queria e ele se recusava a jogar em times pequenos. Fora rejeitado até pela roda de amigos que o considerava como líder. Apenas diziam: “não, amanhã não vai ter nada não.” Depois sempre descobria que a farra havia sido das grandes. Ele é que não podia ir mais. Não preenchia mais os requisitos necessários pra estar naquela roda.
A vida agora era outra. Vivia do dinheiro acumulado durante a carreira. Era suficiente, mas pra ele de nada servia. A vida sem futebol era sem cor, sem gosto, sem cheiro. Precisava sentir o peito bater forte antes de entrar em campo. Era preciso ouvir outra vez o colorido e o grito das organizadas. Queria outra vez os dribles, os holofotes e os repórteres em torno dele. Necessitava ser campeão outra vez.
Recorrera a amigos, dirigentes, a repórteres. As portas todas estavam trancadas pra ele. Até o São Lourenço virara as costas pro seu grande ex-ídolo. Tantos gols e títulos ele dera ao clube. Ainda lembra do presidente que ele tanto admirara dizendo:
- Não se preocupe, a gente vai dar um jeito nisso. Você vai voltar a ser o que era.
Um ano havia se passado e o presidente não mexera um único dedo. E agora era aquilo. Festa de confraternização. Na casa do diretor. Ele fora convidado e foi.
Estavam todos lá. Todos aqueles que haviam prometido ajudar. Agora eram aqueles risinhos e tapinhas nas costas. Comentavam:
- Esse destruía todo mundo. Atacante igual não vai haver. O grande nome do São Lourenço.
Aquilo nem lhe enojava ou nada. Ouvia só um zumbido ao longe. Sentia indiferença. Como se todos aqueles fossem desconhecidos. Só pensavam nos martines, nos carros importados, nas farras, nos contratos exorbitantes. Ele mesmo fora assim, até o zagueirão achar que as suas pernas eram parquinho de diversão.
Ele apenas sacou a pistola e disparou a esmo. Nem mirava e nem escolhia em quem ia atirar. Como em dia de jogo, não enxergava nada, via penas uns vultos se movimentando, ouvia apenas os gritos desesperados. E concentrava-se não mais na bola, mas no gatilho. Naquela sala só o apertar do gatilho interessava. Só parava pra trocar o pente da arma, assim como vez por outra era necessário trocar de chuteira pra calibrar o chute. Matou todos, devia haver umas cinqüenta pessoas. Só parou de atirar quando os gritos cessaram. Olhou pro chão e finalmente viu sangue e corpos inertes. Era como se a partida tivesse terminado, a sensação era a mesma. Ele
estava exausto, mas aliviado.
Quando saia da casa do presidente pensou que o melhor era ir pra uma cidadezinha do interior perdida no meio do nada. Longe dali montaria uma escolinha de futebol. Ia ensinar aos moleques que futebol não era só fazer gol, mas também ter cuidado com as raposas matreiras que sempre surgem pelo caminho. É é claro, com os zagueirões também.
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