quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Lua


A lua. Nem sei quantas vezes sentei a frente do computador pra falar dela. O satélite mais bonito, a beleza mais singela. Lua que encanta poetas, e cantores, que inspira malucos e amores.
Lua cheia em especial me fascina, do alto imponente, propõe cada coisa indecente. Lua amarela soberana faz a gente querer sair por aí, levar uma vida cigana.
Quando ela surge ainda no céu cinza-alaranjado da cidade, êta que felicidade. Quando ela lá do alto do céu faz a gente esquecer o escarcéu, a buzina e o caminhão, a loucura e a confusão.
Parece uma figura cortada suavemente a mão, tamanha a perfeição. Parece uma colagem no céu, esperando, esperando tudo ficar azul, pra então brilhar num céu cheio de estrelas.
E brilha na cidade, e brilha no interior, e brilha na beira-do-mar e ouve tantas juras de amor. E brilha sem nada pedir, e brilha nos dando tanto. E brilha pra sempre brilhando, dando de graça tamanho encanto.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cansaço

Cansaço
Às vezes bate um cansaço na gente
Que atrapalha a alma
E a mente

Cansaço
Faz a gente querer desatar o laço
E dizer
Até mais, aquele abraço

Cansaço
Vontade de terminar o jogo
De dizer segue em frente
Vai atrás do “algo novo”

Cansaço
Parece que de um sono a gente desperta
E a cabeça que tava cambaleando
Vai ficando mais esperta

Cansaço
Sensação de que é preciso sair da apatia
Soltar fora o que não presta
Guardar só a alegria

Cansaço
Vontade de acabar a brincadeira
Jogar debaixo da cama a bola
Pegar as coisas e ir embora

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O mundo não vai acabar.





A Bolsa cai
Em São Paulo
Tóquio
Em Xangai

O mundo parece que vai desabar
É correria, é blá blá
Dizem até que o crédito vai acabar

Os bancos vão quebrar
É cada qual com profecias
Nem dá pra acreditar

Vai ser uma quebradeira geral
Tipo efeito dominó
Todo mundo vai se dar mal


Vai ser tipo um crash
Guarda logo o que tu tem
Vê se tu não esquece...


Isso tudo é paranóia
Medo de quê?
Caos é uma pinóia


O mundo não vai acabar
Não é a quebradeira de banco gringo
Que vai sua vida afetar

A ganância é a grande culpada
Gente ambiciosa
Se meteu nesta encrenca danada

Mas de lá eles hão de sair
A vida é assim mesmo, altos e baixos
A isto chamam evoluir

Desligue a tv, esqueça o dólar e as cotações
Não guarde dinheiro no colchão
Cultive as boas emoções

Desgraça vende
Se multiplica
Não ligue pra elas
Segue tua vida


O crédito, quem liga pra ele?
É apenas desnecessário
Faça suas economias
E terás o necessário

Quando a Globo te assustar
Vier falar em recessão
Corre pra beira-do-mar
Beber cerveja e comer camarão

Quando as revistas disserem
É o caos
Passa pra prateleira ao lado
Pega uma Coca e um halls ...

Rima mais tola
Diante de uma crise boboca
Não dá trela pro economês
Esse povo não se toca

Tudo vai fluir
As pessoas vão se amar, vez por outra discutir
E o dinheiro, esse nunca vai sumir

Quer um conselho?

Se tiver um dinheiro sobrando
Vai de Vale e Petrobras
Daqui hás uns cinco anos vais ter dinheiro mais que sobrando
E deixar essa paranóia toda pra trás.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ser-poeta.

Se eu fosse poeta de verdade

Não fingiria tanto

Ou será que fingiria mais ainda?

Se eu fosse poeta de verdade

Será que ligaria quando morro de vontade de ligar?

Será que correria tanto e tanto pra te achar?

Se eu fosse poeta de verdade, será que riria do teu desajeito?

Que ia fingir não gostar do teu cheiro?

Se eu fosse poeta de verdade

Será que exigiria teu perdão?

Que romperia o silêncio e encurtaria a solidão?

Se eu fosse poeta de verdade

Será que eu saberia demonstrar?

Não só com cartas e estes versos tristes
Mas com um beijo em noite de luar

Se eu fosse poeta de verdade

Pegar-te-ia pela mão

Levar-te-ia pra dentro do mar

Olharia pra ti com paixão

E falando a+b+c, far-te-ia entender

Todos os porquês

De como quando onde quero você

Se eu fosse poeta de verdade falaria menos, escreveria menos e faria mais

Mas o que é ser poeta de verdade?

E será que o meu ser-poeta é um ser pela metade

Cheio de maldade, falsidade e pretensa habilidade

Será que o meu ser-poeta é repleto de mágoa, é mar sem água?

Será que meu ser-poeta é desencanto, é lamento mais que acalanto?

Não.

É apenas um ser-poeta que não se encontrou
Que tanto caminhou
E a ti buscou

E anda perdido
Um tantinho ferido

Com desejo de ser-poeta ligeiro
E de se sentir por inteiro

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Um pedido

Menino
Há tempos te peço
Há tempos eu penso
E se não peço frente a frente
Peço em pensamento

Menino eu quero
Um abraço forte e sincero
Um beijo doce e longo
Um sorriso largo e meigo

Menino eu não nego
Eu fico sem jeito
Quando te vejo é uma tal confusão
Penso em beijar a tua boca
Acabo pegando tua mão

Menino esse treco não dá trégua
As vezes ternura, as vezes lamento
Finjo que não, que já vai passar
Mas quando te vejo volta a atentar

Cabeça confusa, coração vai saltar
Abraço apertado, vontade de não te soltar
Já não sei o que faço pra isso sair de mim
Te faço um pedido
Tem dó de mim

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Correr

Corro e sempre corri demais

Mas os objetivos agora são outros

Corro até me cansar.

Paro e corro tudo de novo

Corro sem livros nas mãos, sem mochilas nas costas

Corro pra me encontrar

E já corri pra te encontrar

Mas calculei errado a hora de dar o sprint

E não te alcancei

Ora bolas, quem nunca fez um cálculo errado

Matemática nunca foi o meu forte, apesar de eu sempre tirar boas notas

Mas o negócio é seguir

Quando corro tiro o peso do mundo dos ombros

E vou leve e quase vôo

É quando me iludo que tenho asas

E tal qual Hermes as minhas ficam nos pés

E pés pra que te quero

Correr, correr, correr

Na praia de preferência, na hora do pôr-do-sol de preferência, com a praia deserta de preferência

E haja preferência.

Nem sei pra quê, só pra me frustrar quando não consigo tê-las

E por falar em preferência, correr em praças é um porre e correr na pista disputando com os carros pior ainda

Eu prefiro o mar como testemunha e você diria: “Tu e o resto da humanidade”

Tá certo, tu tens razão

Corro quando estou confusa, com raiva, frustrada

Corro quando estou feliz

Corro pelos mais variados motivos

Corro e sempre quero o bis

E nem sempre consigo

Os joelhos reclamam

Corro porque sinto-me livre

E por instantes não penso em mais nada, só em correr

Começo a correr com a cabeça embaralhada

O único objetivo é espantar o que há de ruim, é martirizar o corpo até encontrar a leveza

Com o passar das passadas o coração acelera, o suor escorre, as passadas ficam trôpegas

Em alguns instantes as cãibras surgem, o ácido lático acumula e a vontade de parar vai surgindo

Mas ainda há muitos kilômetros a percorrer e não se pode deixar o cansaço vencer

E de repente canto uma canção

Pra me distrair, pra distrair o cérebro

Como quem diz: segura a onda aí

E de repente nem fôlego pra pensar na canção há

Corre-se por correr

Os pés têm vontade própria, correm independente da sua vontade

E você já nem pensa em nada.

Cabeça vazia, e você nem corre mais

Flutua

E flutua a beira-mar

Até os pés não agüentarem

Começam a formigar

E a cabeça ta quente

E o coração parece que vai saltar

E o suor começa a ficar frio

E é hora de parar

Pra no outro dia a brincadeira recomeçar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pequenos conflitos do dia-a-dia

Porque ela é tão linda? Tão perfeitamente e encantadoramente linda? Esse rostinho, esse sorriso meiguinho, esse jeito docinho. É tudo tão inhozinho que me irrita. Porque ela não pode ser mais humana e real? Ela podia ser grosseira comigo e me mandar a puta que pariu. Aí sim eu ia tem motivos pra esquecer ela... Ou quem sabe amá-la-ia mais



- Oi Fê, tá tão caladinho hoje?



Ta vendo, lá vem ela com esses apelidinhos e diminutivos, lá vem ela me deixar maluco.



- Quer dar uma volta, vamo na praia ver o pôr-do-sol?



Ah Deus, me livre dessa perfeição, desse visgo que me sufoca. Faz com que essa mulher me irrite, me maltrate, pelo menos uma vez na vida faça com que ela me dê um motivo para ter ódio.



- Que cê ta pensando? Vem ou não?



- Não posso. To ocupado.



- Não to vendo você fazer nada



- To pensando Camila, me deixa.



- Não, você ta maior jururu do mundo. Vem comigo. Vou te deixar alegre.



- Te amo Camila.



-Eu também tonto.



-Não, você não ta entendendo. Te amo daquele jeito que faz as mãos suarem e o estômago revolver. Queria te ver dormir e acordar. Queria ser a metade imperfeita que se encaixa perfeitamente na tua perfeição. Eu queria ser os palavrões quando você é a polidez. Eu queria ser o roqueiro maluco quando você é a filhinda da mamãe. Eu queria ser humano quando você parece de faz de conta.. Você é a perfeição que me irrita, me desassossega. Você me deixa num estado de nervos maluco, a qualquer momento pareço que vou ter um ataque com os teus diminutivos e dizer: Te amo droga.



- Não sei o que dizer



- Eu sou o maluco porra louca. Esculhambado, sou mesmo só o Fezinho teu amiguinho. Que tem que escutar teus inhos até que um dia você passe desfilando com algum mauricinho.



- Péra aí também. Você vem do nada e diz que me ama. Me joga essa bomba assim no colo. E quer que eu diga o quê?



-Não sei



- Nem eu



- Bobeira minha. Vou embora.





Saio. Eu saio com a lembrança daquele sorriso, daquele olhar que me dilacera e sufoca. Parece que tudo que vem dela gruda em mim. Parece um visgo, um musgo. Parece que não vou ter paz, nem os carinhos dela. Parece que só me resta contemplar a perfeição, a discrição e singeleza dela. Só me resta esperar que um dia ela desfile na minha frente com o primeiro mauricinho babaca e impensante que apareça.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Minha alma canta

Minha alma canta
E tudo o que vejo não é um alguém ou lugar
É a sensação de bem estar
De confiança no que vai chegar

Minha alma canta
Uma canção singela
Dessas que falam de paz e natureza
De amor e beleza

Minha alma canta
E esqueceu-se de cantar a tristeza
Agora só canta pureza
Agora só canta a vontade de se en(cantar)

Minha alma canta
E é bom que a alma cante
Porque ela diferente de mim não desafina
E se desafina nem liga, porque é tão menina, que pra essas coisas nem liga

Minha alma canta
Nas partidas e chegadas
No amanhecer e de madrugada
Sonhando e até mesmo acordada

Minha alma canta
E cantando se liberta
Esquece de um tempo em que eu malvada que era
Insistia em deixar ela sufocada sem poder cantar