domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um ano



Um ano, 365 dias, 12 meses. Se eu fizesse um apanhado do que aconteceu na minha vida em um ano, seria preciso mais de uma postagem para colocar aqui o que houve de realmente importante: as alegrias, decepções, conquistas, derrotas. Mas isso já foi feito ao longo de um ano de blog. Não há como negar que um blog é aquilo que o seu dono está passando. Há também a ficção, mas até isto é fruto de um período de mais ou menos liberdade e maturidade

Há exato um ano, numa fase de puro ócio, aguardando ser convocada por um concurso da vida, eu acordava ao meio-dia, dormia às três da manhã. Relógio biológico de cabeça pra baixo. Foi quando surgiu uma idéia de blog. Mais uma vez, diga-se de passagem. Já tive três blogs, os outros dois não duraram nem um mês direito. Foram assassinados pela falta de interesse e inspiração. A mim sempre me pareceu que o blog fosse uma espécie de diário teen. Uma febre contra a qual sempre lutei.

Nada como o ócio pra entender que o blog pode ser uma bela ferramenta pra dar vazão a produção literária, ótimo lugar pra encontrar gente de todo tipo, de todo lugar e com tanta inteligência e sensibilidade. Fiz poucos, mas bons parceiros ao longo do ano.

O lugar de leveza tem cumprido perfeitamente o seu papel. Trazer um pouco mais de leveza pra essa minha mente perturbada. Trazer um pouco mais de leveza pra quem o lê. As vezes ele parece um pouco irônico, sarcástico, ácido, mas a essência é leve, podem acreditar.

Há um ano eu tive uma idéia de texto, de onde surgiu o nome do blog. Pra quem não conhece aqui vai. O ponto de partida de tudo. Sejam leves, hoje e sempre. A vida vale mais a pena assim.


Ser leve

Leve
Ser leve
Tão difícil. Tão bom
Quando você consegue...
Ah! Que sensação boa é a de ser leve

E se não for pedir muito
Leve-me com você, me leve!
Partilharemos leveza
O sol, o mar, um som
Pode ser rock ou reggae
Talvez até um samba me alegre

E eu não queria que fosse breve
A tal sensação de ser leve
Sinto ela em toda situação
Cantando, dançando, ouvindo a canção

Mas a tal leveza dá e passa
Por mais que seja estado de graça
Sempre faz a gente querer o bis
Desejando sempre e sempre a sensação de ser feliz

Ser leve é caminhar
Ver o pôr-do-sol, se emocionar
Ser leve é não gritar, evitar brigas e te abraçar
Ser leve é duvidar, não querer certezas, não censurar

Ser leve é chorar sem pudor
Não ter vergonha da dor
Achar que apesar de tudo
Ainda vale a pena o tal de amor

Ser leve é tomar banho de mar
Ficar besta vendo o luar
Trocar textos e poesias
Compartinhar músicas e alegrias

Não falo da leveza que traz a cerveja
Se bem que ela não é de todo má
Falo da leveza que traz o abraço
Terno e macio, que leva embora o cansaço

Ser leve é encontrar a solução
Rir do problema
E ver que não há dilema
Que não se resolva com uma boa intenção

Ser leve é desejar ver todo dia
Aquele teu riso cheio de alegria

Ser leve é desejar sentir o cheiro do mar
Vendo tudinho de cima da duna
Ver ele se desmanchar todinho em espuma
Pedindo pro entardecer nunca acabar

Ser leve é quase uma filosofia
É meu desejo e ambição
Como não tenho nenhuma na vida
Elejo a leveza minha religião


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Pequena crônica carnavalesca

Sempre preferi crônica, acho mais “cool” que o conto, que pra mim sempre foi uma prosa sem fôlego. Sem tirar o merecimento dos bons contistas. Deus salve Torga e Moreira Campos, mas acho que conto é pra poucos.

Por isso prefiro a crônica, mas fazer o que? Percebi cedo que não tinha talento e tive que me arranjar com a poesia. Rima daqui, rima de lá, e num instantinho eu me ponho a versar.

Mas a crônica é meu sonho de consumo. De vez em quando eu penso: quem sabe não é questão de pratica? Por isso tem manhã que saio de casa de óculos escuros na cara, protetor no rosto que o sol do Ceará é de lascar e fico só olhando, mirando. No ônibus: só observando o que dá pra tirar de bom pruma crônica, embate entre cobrador e o povo por conta de cinco centavos, da falta do troco,a guerra diaria dos terminais, o empurra-empurra, a falta de respeito com a fila.

Taí um bom tema de crônica, a malandragem do brasileiro, ou melhor seria chamar de cara-de-pau? Num sei, eu bem que podia emendar a cara-de-pau e começar a falar da ordem do amigo do meu primo. Se você quiser eu falo com o amigo do meu primo pra ele te arranjar aquele ... Vai dizer que nunca ouviu?

Brasileiro tem mania de querer facilitar tudo, querer brecha em qualquer esquema, querer uma parada 0800, querer emprego, num querer trabalho. o sonho de todo brasileiro é ganhar na mega sena e mandar tudo pra casa do caralho. Pelo menos o meu é. Vai dizer que não é o seu?

Brasileiro viu tanta praia espalhada pelo território que se pudesse só vivia de sombra e água fresca, em carnaval o resto do ano. E a conta quem ia pagar meu filho? Só faltava mesmo inventar um esquema do tipo Bolsa Carnaval, pule os quatro dias da folia de Momo com subsídios do Governo Federal. A fila ia ser maior que a distancia do Oiapoque ao Chuí.

E por falar em carnaval, dia destes lendo o jornal vi que tinha neguinho em Minas puto com a prefeitura municipal. Motivo? Por conta da crise o seu prefeito disse: “Este ano a prefeitura não organizará Carnaval, nem bandinha, nem axé, nem trio, nadica de nada”. Teve nêgo propondo reduzir o orçamento da educação em 10% pra folia não passar em branco. E a questão da probidade administrativa que fosse pro ralo.

Já que o negocio no Brasil é esculhambado mesmo, a galera pensou que esculhambar com algo divertido é bem melhor. O problema é que a esculhambação é sempre divertida. Só que quem se diverte é quem se beneficia dela. Ou você acha que o Sergio Naya, o Luis Estevão e o juiz Nicolau não se divertiram pra caramba?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Fases.




Fale-me por qual fase você passa.

Foi a frase que ouvi dia desses.

Tudo porque fui besta a ponto de dizer que estava passando por uma nova fase. Tão clichê, não? É, os clicchês se agarram em mim com força surpreendente.

Pois bem, eu sempre gostei de passar por novas fases. Quando adolescente adorava bancar a adulta. E agora inventei de bancar a adolescente. Adolescentes são chatos, mas tão leves.

Inventei de ouvir novas coisas, de sair do circulo normal MPB - Bossa Nova. Adoro e sempre vou adorar, mas é preciso desbravar novos terrenos. Andei sondando Rice, além do The Blower´s Daughter que todo mundo conhece. Descobri Jonh Mayer, aprofundei-me no fofo do Bublé, apresentaram-me a um tal de James Morrison, sentei pela primeira vez e ouvi um álbum inteiro do Led Zeppelin, do The Clash. E gostei do resultado

Inventei de beber novas coisas. Troquei a boa e velha cerveja pelo bom Johhny Walker. Ah, se este fosse um cadim mais barato...

Inventei de conhecer novos mares. Por mais fiel que seja a minha Pasargada, as vezes apodera-se da gente um espírito viajante, mochileiro, vontade de conhecer mares com outras cores, já que sabor todos têm o mesmo. Vontade de ver novas paragens, conhecer novos povoados. Conhecer além de dunas, falésias, manguezais, conhecer, conhecer. É tão vasto o mundo, porque restringir-se a um cordão, a um território delimitado? Proteção, confianç? Ain, tudo isso é tão conservador...

Permiti-me sentir novamente borboletas no estômago. E sobre isto não vou mais falar. É tão auto-explicativo.

A isso talvez dêem o nome de leveza. Sem amarras...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A revolta do eu lírico

- Ô Lorena, Ô Lorena...

-Ahn, Quê?

- Acorda mulher. Aqui, bem aqui

- Qeu diabos de criatura minuscula é tu?

- Sou teu eu lirico abestada. E minusculo é o caralho.

- Tu é que rapá?

- Teu eu lirico.Num s elembra do professor Baltazar não?

- BALTAZAR?

- É, aquela figura do Cefet que dizia "MEUS QUERIDOS ANOTEM AÍ NOS SEUS CADERNINHOS"

- Ah sim, grande Baltinha. Gente muito fina. Que que tem o mestre?

-Então,ele vivia falando do eu lirico. E tu avoada como sempre não entendeu nada. Eu sou o eu lirico: aquele ser, aquela instancia, aquele entidade...

- Tá que é um orixá da macumba. O Deus-representante da escrita... RSRS

- Uma graça voce, não sei como habito este corpo. Saco... Mas enfim, sou eu quem comando o que voce escreve, sussurro as palavras, insinuo as ideias, mas voce num tem escutado bem não filha, tá distorcendo tudo.

- Como assim? Primeiro de tudo, o escritor é quem faz o eu lirico e não o contrario. você é muito pretensioso. Atrevido.. Tu lá tem tamanho pra isso. Ve se cresce coisinha miuda

- Também não precisa esculhambar. To aqui pra falar que voce precisa colocar mais pimenta neste molho. Cansei do molho branco. Cansei do eterno molho branco. faz pelo menos uma lasanha bolonhesa, um vatapá com muito dendê, uma feijoada no capricho.

- É pra escrever sobre culinaria agora? Num é meu forte.

- Além de tudo é lesa. É uma metafora criatura. Tanto talento desperdiçado, potencial mal utilizado.

- ÊPA, ÊPA. Vamo com calma aí, o que eu screvo não lhe agrada, mestre dos mestres?

-Tirando a ironia que mal utilizas, o negocio é fraco.. Até que é legal, rima e coisa e tal, mas num leva a mal, em teus textos falta um poquinho de sal.

-Olha só, rima que nem eu.

- É contagioso, INFELIZMENTE...

-Vai te catar eu lirico

- O Lugar de Leveza, eterno sol, mar e brisa. Pelamor, muda o disco, dá vonatde de dormir .Prefiro o Clube da Lulu.

- Não esculacha o Lugar de leveza não, que ele é meu xodó. Tá querendo mudar procura outro corpo esprito ruim. HEHE

- Ain Deus.Porque perco meu tempo?. Voce não vai mudar um centimetro. Cabeça dura.

- Sai pra lá subversivo. Vai revoltar-se pra longe de mim. Quero voce bem longe, de mim bem distante.

- Aí não escreves mais nada.

- Por aflar nisso, lá no teu setor tem algum serviço de entrega de a domicilio de eu lirico, algum catalogo de compra de eu liricos bacaninhas, essas coisas? rsrs

- Mas é muito sem noção mesmo. Puta que pariu.

-Então voce prefere a Luluzinha? Entendi. Voce é o eu lirico pevertido. O bonzinho deve tá por aí escondido .É ele que me inspira nos escritos de leveza e voce nos escritos da Lulu. Perfeito. Daqui a pouco o outro aparece se queixando dos escritos sacanas e eu tô lascada. rsrs

- Gaiata, aqui num tem diabinho e anjinho não filha. E pevertido é caralho. Eu sou o seu lado divertido. O que há de melhor em você. ;)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Este moço




Este moço surgiu do nada e eu nem imaginava que nele ia me ligar. Tem um jeito assim largado, pose de garoto de praia, que pira nas ondas do mar. Esse moço tem um jeito moreno, doce, sereno, que me fez balançar.

Fez sentir as pernas bambinhas, a cabeça tontinha, fez meu mundo girar. Este moço que vem de repente, manda tudo sair da frente, sem nem se importar. Esse moço que chega depressa, e me levou na conversa, me fez tanto tanto dele gostar.

Este moço me tira o sossego, me põe até medo, me deixa sem direito pensar. Esse moço que me chama de besta, sou com ele uma seda, nem sei de jeito diferente me portar. Esse moço monta na moto e eu tiro uma foto pra eternizar.
Este moço me deixou mais brega, jeitinho piegas, quem iria imaginar?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pasárgada existe



Ruas de sossego
Mar de calma
Ar de serenidade
Bem-estar da minh’alma

A paz tão sonhada
A inocência re-adquirida
O coração aos pulos
É grito, é silêncio, é sussuro

É cheiro de mar
É cheiro de jasmim
É cheiro de coisa boa
Traz saudades sem ter fim

O que sempre me pergunto
É até quando vou viver
Com dor no estômago pela volta
Com vontade de aquele lugar pertencer

O que sempre me questiono
Como surgiu essa paixão
O amor pelas ruas tortuosas
O sentimento de eterna sofreguidão

O que fico a pensar é o porquê dessa revolta
Que nunca me acompanha nas idas
Mas sempre me perturba nas voltas

Eu poderia falar das dunas
Do multi-cor do fim de tarde
Do céu estrelado sem ter fim
Mas tudo é pouco diante da grandeza da cidade

Pode ser pequena em espaço físico
Alguns detestam a pasmaceira
Eu fico com a calma e o sossego
A correria só me traz canseira

Podia falar ou versar para sempre
Fazer odes, compor uma grande canção
Mas minha paz do fim de tarde por lá
Fala muito mais ao coração

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sem reclames e lamentos

Não vou reclamar
Disseram-me que nada é insubstituível
Que não há porque chorar



Nem vou me queixar
Disseram-me que a vida é assim mesmo
Não adianta espernear



Nem vou dizer adeus
Cada um para o seu lado
Talvez assim queira Deus



Não vou nada te cobrar
É culpa do destino
Que inventou de desviar



Não vou me lamentar
Nada é para sempre
Não tem como disto duvidar



A saudade sempre fica
Faça dela sua aliada
Nem adianta puxar briga



Ontem era e hoje não
Não faça tempestade
Não machuque o coração



Nem amizades são pra sempre
Nada eternamente dura
Engole esse gosto amargo
E vê se a barra segura



Nada é infinito
Nem os mais singelos sentimentos
Não adianta cara de choro
Tampouco teus loucos lamentos



Não adianta fazer promessas
Nada vais mudar
A vida corre depressa
E por você não vai esperar


Não adianta querer reviver o passado
É só por o dedo na ferida
Não mexa no que foi enterrado
Assim a dor é mais sofrida



Siga sem olhar pra trás
Olhe sempre adiante
O ontem não volta mais



Não é só questão de querer
Há coisas com que não se pode
Não se pode é parar de viver

sábado, 3 de janeiro de 2009

Feliz ano novo

Eu não quero falar de um ano novo que seja novo só no nome
Quanta gente pula ondas, come lentilhas, estoura champanhe, faz lista do que vai fazer
Passado o dia 1° neguinho não lembra de mais nada. Só da azia e ressaca braba causados pelo excesso da noite anterior.

Há tempos que venho desejando a mesma mudança: enterrar o que não presta, regar e esperar nascer algo de valioso, que dure através do anos, que não me cause a velha e longa sensação de que a vida precisa ser mudada, girada de ponta cabeça.

O meu desejo de ano novo é o que sempre tenho desejado: tranquilidade pra cabeça, serenidade pro coração, estabilidade pro estômago (eita azia que não me deixa em paz). Quero também mar e sol, cerveja gelada e futebol. Quero amigos por perto e que meus planos de carreira dêem certo. E isso todo mundo quer.


Que o ano de todos os visitantes do lugar de leveza seja muito mais que bom!

=]