
-Não bebe amor, cê ta doente.
(Mesmo que o pedido tenha vindo entrecortado de carinho, dengo e cuidado, não pude resistir. Levantei-me, fui até a geladeira e empunhei a garrafa de vinho. Um frio destes: Fortaleza resolveu derramar tudo que havia de água no céu em um dia só. Um frio de dar dó, vontade de ficar deitado, enrolado, abraçado.)
- Eu preciso de uma dose de álcool pra esquentar.
-Porra, comigo aqui do lado e você ainda precisa de álcool pra esquentar. Tá me tirando amor?
- To não benhê. Deixa de ser sentido. Este tempo pede um vinhozinho.
- Sou mais uísque.
-Não temos uísque Tiago.
- Eu vou comprar.
- Ah bom, não vai sair na chuva não.
- E porque não?
- Vai tirar a moto da garagem, botar capa, vai se molhar na chuva, me deixar só...
- Pois vem comigo ué.
- Engraçado, não posso beber por causa da gripe e posso sair no maior toró. Cabecinha avoada.
- Ah é. Então eu fico com vinho. Quer esquentar né amor?
- Quero sim.
- Vou pedir pra sua mãe, minha sogra querida, te fazer um chá de alho.
- =[




