segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A rima mais bonita

A rima mais bonita eu te fiz
Você  guardou ela no peito
Fez o que dela bem quis

A rima mais bonita rimou com o riso teu
riso das manhãs doces
riso dos sonhos meus

A rima mais bonita
Ficou parecendo com a nossa canção
Rimei-a com todos os clichês
O mais de todos foi “nossa paixão”

A rima mais bonita é a de cada dia
E combina com os olhos teus
Olhos da minha segurança
Olhos dos sonhos meus

A rima mais bonita
Inclui você e eu
Rimando numa rima só
Juntos...
Colados...
Nada pode ser melhor.




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Acordes

Desde que te vi
Quis um rock fazer
Mas talento com música não tenho
Só me restou escrever

A letra do rock soou meio pop
Você besta que foi
Nem me deu ibope

Brega que foi
Pediu um bolero
Eu sem paciência disse “basta”
“Chega de lero-lero”

Voce desconsertado, tentou “concertar”
Pegou a guitarra, musicou o rock
E eu malvada:
“Solos de guitarra não vão me conquistar”

Voce meio chocho
Sem saber o que fazer
Colocou um mambo na vitrola
“Chega de rock, vamos ferver”

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Aprendiz de Leminski

Moreno cor de jambo
Dance comigo um mambo
Dance comigo um tango
Topo um frevo pernambucano

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Repente: A desilusão do moço.















Era uma vez um moço
Na beira da estrada
Não sabia fazer nada
Só ver noite enluarada         

Era uma vez um moço
Ele era tão vadio
Não sabia fazer nada
Só admirar o rio

Era uma vez um preguiçoso
Não queria trabalhar
Êta cabra tão manhoso
Não queria estudar

Era assim tão displicente
Era tão “to nem aí”
Que era capaz de ver  uma “flor”
E   ser capaz de não  sorrir

Mas um dia de repente
A sua sorte mudou
Viu um belo do “jasmim”
E então ele corou

Ganhou força e coragem
Há muito tempo não se via
Largou de mão da preguiça
 “ela é tudo que eu  queria”

 Ele mudou por completo
Trabalho  até ele arrumou
Foi  então para a escola
O danado se aprumou

Ninguém acreditava
Em tal transformação
Tava tão modificado
Coisas do coração

Então um belo dia
Foi falar com o "jasmim"
Declarou sua paixão
Disse lhe amar sem ter fim

O “jasmim” então sorriu
Logo lhe agradeceu
Mas disse não gostar “da fruta”
“Namorada tenho eu”

O moço desconsertou
Tamanha a desilusão
Voltou tristonho pra casa
Amuado o coração

Então voltou pra rotina
Eterno não fazer nada
Menino da estrada
Admirando a passarada

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Saudosistas, uni-vos!

Saudosistas do mundo uni-vos

Já que temos tantas uniões bizarras, tantas tribos... temos os
otakus, os emos, os coloridos...

Criarei uma legião de saudosistas, os nossos inimigos nos
chamarão de antiquados, conservadores, nos dirão de cara lavada que somos
presos ao passado.

Nossa sala de estado-maior, nosso quartel  general terá os brinquedos do passado. Levarei
meu playmobil, meu pogobol, meus álbuns de figurinha, as centenas de “tazos”
que juntei depois de comer cheetos todos os dias.

Meu primo levará seus exemplares de Power ranger e ao fundo
tocará a música do cavaleiros do zodíaco ou da Xuxa, decidiremos em assembléia.

Vídeos do Airton Senna serão reproduzidos diariamente. O é
tetra do “cala-boca Galvão” será repetido de hora em hora como se fosse nosso
hino. Mas se já somos penta porque não o “é penta”. Porque saudosistas gostam
mais de Romário do que do Gornaldo...

Cada membro terá direito a colar na parede a foto da
professora predileta. Já vejo a foto da tia Clevânia pregada na parede. Ah que
saudade da análise morfossintática.

Fotos de bebê, fotos na escola em dia de São João, dia da
páscoa, Natal, fotos de churrasco em família. Tudo será permitido. Ninguém zombará
da sua breguice, digo melhor, do seu nobre saudosismo.

Haverá a seção “evolution”, onde você poderá fazer a sua própria
linha cronológica, do bebê de fraldas  ao
garoto cabeludo e bêbado da faculdade. Assim você verá como o passar dos anos
fez bem a você, ou não.

Teremos nossa biblioteca musical. Por favor, nada de
pendrives ou mp3. Só  serão aceitos vinis,
k-7 e CD’s originais. Aqui não é a casa da mãe Joana. A propósito, já separei
meus k-7 do Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Pink Floyd e Men at Work. Todos
presentes de titio que passou o bom gosto da família adiante. Os vinis da
Rainha dos baixinhos, o adocica do Beto Barbosa, “o Bad” do Michael Jackson e o
“You can dance” da Madonna já foram separados. Os cd´s serão liderados pelo
grande Enghaw, pelo Capital Inicial, pelos mestres Tom, Chico e Vinícius.

Quem gostar de futebol, que leve sua primeira camisa, seu
primeiro canhoto de ingresso, seu primeiro pôster de campeão. Aos torcedores
tricoloridos apenas um pedido, mantenham seus trapos, digo uniformes, longe do
manto alvinegro.

Levem suas bolas dente de leite, seus piões, pipas, bonecas.

Saudosistas do mundo, é chegada nossa vez!

p.s: à juventude modernosa-moderninha, digira bem a próxima moda,
vomite-a e passe para a próxima.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Reflexões

Você é?
Faz?
Ou já fez alguém feliz?
Ou  será que sua única preocupação é ser dono do próprio nariz?

Você já parou pra pensar naquilo que sempre quis?
Se um beijo daqueles na chuva
Ou ter a mente cheia de ardis

Você já parou pra pensar no que gostaria de ser?
Alguém que é chamariz de tudo
Ou alguém que sabe perder e vencer

Você já parou pra pensar?
 nem tudo é como parece ser
A escuridão não pressupõe tristeza
Nem as lagrimas pressupõem “o sofrer”

Você já parou pra pensar
Em que situação você pediria bis
Se na  grande subida da Bolsa
Ou ao ganhar um buquê de flor-de-lis

Você já parou pra pensar
Em que poesia gostaria de fazer
Alguma que fizesse sentido de verdade
Ou alguma que só te fizesse vender

Você já parou pra pensar
que amor você gostaria de receber
Um que te deixa livre, liberto
Ou um que só faz te prender

Você já parou pra pensar
O que tanto você quer ganhar
Carro, casa, viagem
Ou uma serenata em noite de luar

Você já parou pra pensar
Por mais que isto canse
É necessário fazer
Pra por as coisas em ordem
E fazer a vida a pena valer.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Psicologia de botequim

Nesses dias voltei à ativa


Fui ao meu lugar de leveza, bebi uma gelada, tomei banho de mar, deixei a brisa me levar, resolvi te ligar...


Estava precisando de um tempo pra mim, é, pois é...

Tenho lido demais, estudado demais, tenho tratado meu atual momento como uma batalha, tenho tentado transformar meu espírito em algo mais guerreiro do que ele já é, tenho afastado os sentimentos leves que por ventura pudessem me “desvirtuar”

Vesti-me de uma armadura que me faça andar sem medo, com a faca entre os dentes, sedenta pela vitória, virando noites até a exaustão, maltratando a coluna e a tendinite...

Peço desculpa àqueles que afastei: uns com razão, outros desarrarazoadamente. Aqueles que afastei só digo uma coisa: Amo vocês, pois aqueles que não amo nunca estiveram próximos.


Sim, sinto saudades, até de mim. Sinto falta de conversar comigo, de ouvir um som, de olhar nos olhos do amor que mandei embora, de ver o sol se por nas dunas do litoral oeste.


Eiê, gosto de me psicologizar, texto sem nexo e nem deu pra rimar. Parece psicologia de botequim, escrita na mesa de bar, usando o guardanapo , escrevendo com a caneta emprestada pelo graçom


Os acontecimentos dos últimos meses foram pesados, tulmutuados, mas tudo foi necessário, talvez tenha havido um pouco de excesso, mas tu bem sabes, não sei ser pela metade.

Eu quero sempre além, necessidade de provar algo você me diria. Não, não. Minha insegurança ainda persiste, mas já sou o orgulho de tanta gente que hoje não preciso provar nada pros outros. Pra mim talvez, quero sempre mais, mas hoje é um objetivo de cada vez.

Sempre descontente, reclamona tu diria, mas acredite: hoje reclamo bem menos que cinco anos atrás e amanhã serei bem menos reclamona que hoje. Auto-crítica eu diria, no dia em que eu desejar parar de mudar, nesse dia terei morrido. Detesto a rotina apesar da segurança que ela me traz, não consigo fazer projetos que durem mais de dois anos, a não ser que o plano inclua você.

Confie em mim, as coisas darão certo e em breve você entenderá o sentido de tudo!

p.s: te amo!

sábado, 7 de agosto de 2010

Poetas são patetas

Veja bem, olhamos tudo ao redor com olhos que ficam saltitando pra fora do rosto, e o brilhozinho que eles emanam, ora! Coisa mais boba... Coisa mais linda...
Tudo que é motivo vira jeito, tudo que é jeito se distorce, se contorce, cai na tinta e valha-me Deus, vira rima, vira verso...
E é Verso sobre noite, sobre lua, sobre mar, é tanto verso que tudo que aparece dá vontade de rimar.  Às vezes a rima não sai, mas o que vale na verdade é a intenção, aí sai um verso entrelaçado, poesia desregulada tal qual o pensamento de poeta quando a rima não lhe vem. Ê "classezinha" que vê poesia em tudo: em ônibus lotado, em fim da relação...
Poeta é cabra safado, anda sempre na contramão.

"Ora essa, eu e minha mania de rimar, detesto isso, vou pegar uma viola e fazer repentes na praça".

Poetas são todos patetas, erram na cronologia, erram na história, depois acertam os ponteiros e fazem a volta do jeito certo. As malas estão sempre prontas, amarrotadas de sonhos e cheias de razões, todas tolas diga-se de passagem. O Salário pouco, as contas, a pia entupida, o divorcio, é tudo parte do submundo, versos sublinham tudo.

Continuamos? Ou basta para a nossa triste sina de poetas?

Sina de ver beleza ou tristeza em tudo... Sina de passear por entre carros com olhos esbugalhados, querendo tirar  poesia de onde não tem... Se bem que poesia existe em todo canto! Meu eu-lírico que é mais crítico, só gosta de caviar e vinho tinto. Mas eu, poeta, pateta convicto, vejo poesia nos mendigos, nas minhas agruras, no meu tédio, até nas silhuetas das mulheres que desejo, nas sombras das árvores, no movimento dos életrons, na intelecualidade dos que ja se foram. Vejo poesia nas amargas desilusões, pra isso não existe remédio.
Enxergo sim, meu olhos tem selos poéticos, pupilas dilatadas em sonetos, cílios que rimam descaradamente... O eu-lírico faz pose, faz bico, quer refinamento, mas o pobrezinho não vence uma - Poesia vem  do que é simples - acaba por ceder ao charme pateta, e convence-se que nasceu desse jeito: pobre, coitado poeta.


Por Lívia Queiroz e Lorena Silva