sábado, 17 de julho de 2010

A visita do eu-lírico







-Lei complementar 75, Dispõe sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público da União. Art 1º : O Ministério Público da União, organizado por esta lei Complementar, é instituição permanente...

- Putz, mas tu tá chata ein

-Hein, onde, como é que é?

- Aqui sua concurseira bitolada, o eu-lírico, lembra-se?

- Sim, como não, como esquecer da sumidade da arrogância e prepotência, a que devo a sua ilustre visita?

- Eu não agüento mais esse lance de concurso, abandonou o blog, não escreve mais, só pensa em Constituição, em direitos sociais, na organização do Mpu, em licitações...

- Puxa, tá por dentro hein, me diz aí as modalidades de licitações pra ver se tu tá afiado

- Me poupe  né, vim pra abrir teus olhos, tua mente, dar uns toques...

- Sim grande mestre, sou toda ouvidos

- Deixa de ser irônica pô. Escrever é hábito, daqui uns dias não escreverá nada mais que preste. Nem ler você lê mais. E to falando de literatura, um monte de livro que compraste estão aí empoeirados. Nunca mais foste à praia... Só quer saber do MPU

- Pensa pelo lado bom cara. Depois que passar, tirarei férias numa praia paradisíaca e escreverei textos picantes regados a tequila. Tu gosta de tequila?

- Nem beber tu bebe mais, criatura.

- O corpo fica lento depois da ressaca, não rendo nada, preferi cortar...

-Mas voltando aos escritos, e se tu num passar nesse MPU?

- Vai zicar pra lá cara, passarei.

- Certo, gostei da determinação. Agora prometa-me que não relegará os escritos, que escreverá pelo menos uma vez por mês. Sinto falta do Lugar de Leveza.

-Oxe,tu num dizia que os textos de lá eram água com açúcar

- Na falta de camarão a gente se acostuma com salsicha...

- Como é que é?

- Ah meu Deus, os concursos te imbecilizaram mesmo...

 -Opa, menos, bem menos criaturinha minúscula. Vou fazer uns  versos pra ti, só pra te provar que não deixo de “escrever” nunca. Penso sempre em textos, mas eles se perdem no vento, no ônibus, no chuveiro, no banco, o tempo inteiro.


Eu - lírico camarada
Não faça confusão
É só uma temporada
Logo volto, terás versos em profusão

Eu-lírico agoniado
Não te perturbes assim
Logo faremos textos vários
A loucura está perto do fim


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Recortes














2 de maio

Ontem foi o ápice, catei minhas coisas, pus na mochila preta e surrada e dei adeus. Espero que pra não mais voltar

3 de maio
Ele apareceu hoje aqui na casa de mamãe, pediu desculpas, disse que me quer de volta. Mandei ele pastar, que fizesse o favor de me esquecer

4 de maio
Apareceu outra vez, trouxe flores e bombons  que eu delicadamente joguei na lixeira. Trouxe um cd do Mayer, deixou rolar Slow dancing in a burning room propositalmente.

5 de maio
Não tem permissão pra entrar aqui, não minha, mas mamãe quer que voltemos:"é um bom marido minha filha e casamentos não se acabam por bobagens".

6 de maio
Fui trabalhar, parei no bar da esquina, tomei café, conheci Pedro, trocamos números de telefone.

7 de maio
Não suporto mais que Fernando ainda pense em voltar. É um cretino completo. Porque descasar é tão mais difícil que casar? Não quero passar o resto de minha vida assistindo temperatura máxima domingo a tarde

8 de maio
Levei Pedro pra casa. Dormimos juntos. Ele pelo menos não é tão cretino quanto Fernando. Certamente Fernando era menos cretino que o anterior e assim por diante. Manias de comparação

Fernando entrou no quarto, bradou, chorou, questionou: Que significa isso, Maria Claudia? Quem é esse homem?

- Ora meu querido, casamentos não se acabam por bobagens, apenas achei um motivo justo.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

O poeta




O poeta fez troça do natural
Cansou-de tudo que era insosso
Banhou-se com sal

O poeta duvidou dos conselhos
E o muro pulou
Espreitou o que tinha do lado de lá
Explorou...

O poeta duvidou do bom senso
Amou
Deu as costas ao consenso
Voou


Fez festa e revolução
Plantou jasmim
Colheu flores, fez serenatas
Alegrias sem ter fim

O poeta quis ser mais intenso
E  jurou:
“amor justo e verdadeiro”
Se encontrou

Caminhou fagueiro
Correu sereno

Distribuiu calor

Achou-se e perdeu-se em braços morenos
Transpirou

Era só risos e certeza
 Delirante

Era só lua e mar
 Lancinante

Foi deveras voraz e faminto

E cansou...

Pulou o muro de volta
Suspirou

Voltou com o jasmim branco debaixo do braço
Murchou...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ceará, tua glória é lutar!

Esse é um texto escrito por torcedores alvinegros. A idéia  de um texto motivacional que fosse entregue aos jogadores do Ceará foi concebida num momento pós-derrota, em que muitos ainda estão com a cabeça quente.

Parabéns ao Hallan Cunha pela idéia do texto e a Talita que foi fundamental para dar corpo e vida a essa idéia.

Orgulho de ser alvinegro. Bora Vozão!


Em um determinado momento da vida, podemos pensar que está tudo acabado. Que chegou o fim e que o trabalho que foi construído e conquistado com garra, com suor e com superação, foi desperdiçado e que é impossível reverter tal ocorrido. Chegamos a nos perguntar: “E agora?”. Somente um coração pulsante e verdadeiramente ALVINEGRO tem a resposta para esta pergunta.


É olhando para arquibancada e vendo aquela imensa torcida em PRETO E BRANCO que temos a certeza de que ainda não chegou o fim. A “guerra” apenas começou. O Castelão vira um famoso coliseu aonde gladiadores participam de grandes lutas contra feras temidas. Em cena o EXERCITO DE GLADIADORES ALVINEGROS comandados por um verdadeiro General. Ao pisarem no gramado terão uma difícil luta a vencer, mas sabemos que o MEDO não é nosso companheiro. Somos sempre destemidos, corajosos, fortes, temos sangue quente correndo em nossas veias por sede de vitória.


Domingo! Temos outra batalha marcada contra uma fera. E o EXERCITO ALVINEGRO que representa esse imenso povo que só existe em prol de uma ÚNICA PAIXÃO chamado CEARÁ, entrará em campo vestindo a armadura PRETO E BRANCO, tendo como escudo uma massa ALVINEGRA e como espada o grito vibrante que faz temer o mais destemido dos seres humanos.



Por Hallan Cunha, Talita Pitombeira e Lorena Silva.

sábado, 13 de março de 2010

O vestibular e o namorado surpresa.

Saudades do mundo do blog, tentando voltar aos poucos. Correria danada, vida de concurseiro né mole não. Perdão aos parceiros blogueiros pelo sumiço, sinto faltas de escrever e principalmente de ler os escritos de vocês.

Espero estar mais presente nos proximos meses, pelo menos vou tentar.Abraços de leveza.
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Tinha 18 anos, estava na faculdade: farras, festas, bebida e claro, pouco estudo. Assim era minha vida no primeiro ano da faculdade de Música. Pois é, pra desespero geral da família eu escolhi Música, deixando os antepassados, papa-manuais de Direito, de queixo caído.

Estava namorando Camila, colega de faculdade que depois de muito tempo conseguiu me livrar da obsessão por Catarina. Depois da última vinda dela à Recife, episódio em que trouxe o namorado mala e mauricinho, eu resolvi criar vergonha na cara e desencanar. Tive relações despretensiosas até encontrar Camila. Namoro firme.

Catarina vinha à Recife prestar vestibular para Medicina, ia fazer em São Paulo e aqui. Sabia que ela era inteligente e passaria nos dois e obviamente escolheria São Paulo. Não sei o porquê de vir para cá. Até acho que sei: me atentar, ver se ainda exercia algum poder de sedução por esse babaca que vos escreve. Foi numa tarde de domingo no MSN que ela me comunicou: “chego aí em 10 de dezembro, vou fazer vestibular pra UFPE”.

Meu coração palpitou, o idiota, eu, ainda gostava dela, não conseguia me desligar por completo, falávamos sempre, mas eu ia tocando com Camila. Ela, Catarina estava solteira, havia um ano.
Chegou numa tarde de sexta, fomos a praia. Camila havia viajado para o Rio, encontrar os pais que moravam lá.

Catarina estava encantadoramente linda, ainda mais magra e formosa. Uns olhos miúdos escondidos pelos óculos de grau. Usava um vestido azul turquesa e ria como quem não via o mar a séculos. Pedi uma cerveja e ouvi ela pedir um refrigerante.

Por instantes esqueci-me da obsessão que sentia por ela e só conseguia lembrar das brincadeiras dos tempos de meninice, da alegria tola das crianças que se comprazem com um simples sorvete, banho de mangueira ou volta de bicicleta.

- Eu vou voltar pra Recife Tinho. Não aguento mais Sampa não.

- Como assim?

- É isso mesmo. Cansei daquela cidade doida, além do que...

- O que tem mais?

- Eu conheci uma pessoa em Sampa, ele é daqui de Recife, estamos namorando há 8 meses...

- Como assim? Você nem me contou

- É, na verdade ninguém sabe, nem papai e mamãe. Mas vamos fazervestibular pra cá e assim que passarmos viremos embora, dividir um apartamento.

- Sei. Que bacana

- Também tô feliz, vou voltar pra cá, pra perto dos meus verdadeiros amigos.

Enquanto dizia essas palavras apunhaladoras, a infeliz segurou minha mão e lançou-me um sorriso safado cheio de doçura. Vontade de deixar ela sozinha e ir embora, de abrir o jogo, de beijá-la, de xingá-la, tudo ao mesmo tempo. Mas fiquei parado, inerte, olhando pra ele sem dizer nada.

-Sim, mas agora vambora neh Tinho, tá ficando de noite já.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Mania


Mania que eu tinha de versar
Inventei de fazer prosa
E a rima achou de escassear

Mania que eu tinha de poetizar
Inventei de ceder à rotina
E vi  o verso pouco a pouco cessar

Mania que eu tinha de todo dia escrever
As obrigações foram se amontoando
E vi a inspiração arrefecer

Mania que eu tinha de buscar perfeição
Hoje me deparo com versos de araque
Que me deixam em lamentação

Mania  de tanto me cobrar
Se deixasse tudo fluir
Acho que era mais fácil “desencantar”

Mania de pressa  e ligeireza
Que a inspiração volte logo
Pra acabar com essa tristeza

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O menino que eu amo

O menino que eu amo tem um brilho de olhos que me faz mais feliz que criança em dia de natal, páscoa, dia das crianças

O menino que eu amo, apesar de não ser mais menino, me faz rir feito tonta, faz o estresse passar, a cabeça esfriar, o peito acalmar.

O menino que eu amo tem voz de promessa que nunca se cumpre e desejo que nunca se esgota

O menino que eu amo é imprevisível, numa hora dedicado, noutra desleixado

O menino que eu amo é homem de negócios, executivo de moto, empresário surfista

O menino que eu amo me faz raivas mil, me faz ensaiar despedidas que nunca se concretizam

O menino que eu amo faz sumir todas as decisões e atitudes que eu  julgava irremediáveis

O menino que eu amo não me faz querer ouvir bossa nova, nem samba-canção. Nossa música é pop, é leve, é light, é fruída tal qual um mascar de chicletes ou uma volta de bicicleta.

O menino que eu amo toma cerveja comigo e diz que quer mudar pra vodka, da vodka quer passar pro whisky. Qualquer dia aparece-me em casa com um galão de gasolina e dois copos.

O menino que eu amo fez o 2009 mais  vívido, mais intenso, mais radiante

Que 2010 chegue e que o menino que eu amo deixe de tanto lero-lero, besteiras bestas e frescuras sem razão.

TE AMO AMOR!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu quero conhecer o mundo com você.

Eu precisava de ti com um desespero lunático

Sentia falta do teu “cheiro de jasmim” em meio a prédios, viadutos, metrôs, museus e parques.

Eu precisava de ti quando tomava aquela Skol bem gelada

Eu precisava de ti no frio de 14º, que pra mim, acostumada a grandes temperaturas, parecia algo abaixo de zero.

Eu precisava te mostrar aquela pizza, aquela massa, aquele café, aquela livraria, mesmo correndo o risco de ouvir: “já conhecia”

Eu precisava andar de mãos dadas em meio a exposições, igrejas, multidões, ruas desconhecidas.

Eu precisava me achar eme perder com você. Eu precisava flanar com meu amor do lado, olhar a quatro olhos. Sentir a quatro mãos.

Isso tudo só quer dizer: eu quero conhecer o mundo com você.